A Fascinante História do Café: Das Montanhas da Etiópia ao Mundo

Você já deve ter ouvido essa história em algum lugar. No século 9, um pastor chamado Kaldi, nas montanhas da Etiópia, notou que suas cabras ficavam super animadas ao comer um certo frutinho vermelho. E assim, a humanidade descobriu o café. Mas será que foi assim mesmo?

Uma Lenda com Fundamentos

Essa história é uma lenda, mas como toda boa lenda, tem um fundo de verdade. O café existe há milhares de anos. Segundo a historiadora Jeanette Fregulia, no livro “A Rich and Tantalizing Brew”, a domesticação e o cultivo do café começaram pelo menos 300 anos antes da lenda de Kaldi.

Em 525 d.C., o Império Axum, que se estendia pelo Chifre da África, invadiu o Reino Himiarita, no sul da Península Arábica. Durante a conquista, os africanos levaram o café, que se adaptou bem aos planaltos dominados.

Tradicional cerimônia do café na Etiópia – hecke71 – stock.adobe.com (750×1)

A ocupação durou apenas 50 anos, mas o legado do café perdurou. Os países onde ficavam esses antigos reinos são sempre associados à origem e à disseminação do café. O Império Axum ficava onde hoje é a Etiópia, e o Reino Himiarita no Iêmen.

A Primeira Expansão do Café

Com o tempo, o Iêmen foi invadido por outras potências, o que ajudou a espalhar o café. Primeiro, o Império Sassânida, da Pérsia, em 575. Depois, os muçulmanos, em 628, quando Maomé ainda estava vivo. O Iêmen integrou o mundo islâmico, que cresceu com os califados.

Serviço de café em família árabe – nooh – stock.adobe.com (750×1)

Relatos sobre o cultivo e o hábito de beber café surgiram no século 15. Naquela época, o “qahwa” (“café” em árabe) começou a se popularizar. A expansão árabe e turca espalhou a bebida pelo Oriente Médio, Mediterrâneo e Europa.

O linguista Alan Kaye explicou que o termo “café” no inglês e nas línguas latinas veio do holandês “koffie”, que veio do turco “kahve”, que veio do árabe “qahwa”.

As Origens Religiosas do Café

Antes de chegar a outros continentes, o café cresceu no Oriente Médio. Katip Çelebi, um pensador turco do século 17, registrou que em 1454 a bebida entrou nos rituais noturnos do sufismo, a variante mística do islamismo.

Os sufis buscavam equilíbrio e pureza interior. Eles descobriram no café um ingrediente importante para seus exercícios espirituais. No fim do século 15, o café já era central nos encontros sufis, ajudando em suas longas recitações.

Os sufis difundiram o hábito no Iêmen e em outras partes da Arábia. Outros muçulmanos e judeus também descobriram as virtudes do café para as longas noites de oração.

Segundo Fregulia, três elementos foram importantes na disseminação do café pelo mundo islâmico: a peregrinação a Meca, os mercadores árabes e as cafeterias.

Ralph Hattox, no livro “Coffee and Coffeehouses”, explica que o café ganhou espaço em cartas, ensaios e livros. Até decisões legais trataram da bebida. No século 16, cidades como Cairo, Alepo e Istambul ganharam suas primeiras cafeterias.

Mas nem sempre as autoridades religiosas viam com bons olhos a novidade. No século 17, o sultão Murad 4º proibiu o café, além de álcool e tabaco, no Império Otomano. Cafés eram vistos como lugares perigosos, pontos de manifestações culturais e políticas.

Mas essas tentativas de proibição não deram certo. Desde um episódio em Meca, em 1511, houve tentativas de banir as cafeterias, mas todas tiveram vida curta, escreveu o historiador Jon Mandaville.

Pensadores religiosos concluíram que o hábito dos dervixes sufis não era ofensivo. O café venceu e se tornou a bebida nacional da Turquia. Quando começou a se espalhar pela Europa, nos séculos 16 e 17, às vezes era chamado de “vinho do islã”.

Lendas Religiosas

Essa associação religiosa com o café também era comum nas lendas sobre sua origem. Uma delas envolvia personagens bíblicos importantes no islamismo.

Ela diz que o Rei Salomão, certa vez, chegou a uma vila com uma epidemia de peste. O anjo Gabriel recomendou torrar grãos de café do Iêmen e fazer uma bebida que restaurava a saúde dos doentes.

Rabino segura antiga xícara de café – Marina – stock.adobe.com (750×1)

Outra lenda conta que Gabriel apresentou o café a Maomé, que sofria de narcolepsia. As lendas firmavam o Iêmen como berço do café, e não a Etiópia. Em vez do pastor Kaldi, o protagonista era um sacerdote iemenita.

Banido para as montanhas por conduta inapropriada, o jovem clérigo se salvou ao beber a “infusão das sementes de uma planta com flores brancas”. Após o exílio, levou os grãos para Meca, onde curava peregrinos doentes.

Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2025/11/22/cafe-com-deus-pai-bebida-sagrada-da-manha-tem-mesmo-origens-religiosas.htm

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