No dia 6, a colunista de vinhos da Folha, Isabelle Moreira Lima, publicou um texto com dicas para a Black Friday. Não tenho muito a acrescentar e recomendo a leitura. Mas gostaria de reforçar um ponto que ela menciona logo de cara: desconfie dos vinhos velhos.
Vinhos Velhos: Cuidado!
É impressionante a quantidade de ofertas baratíssimas de vinhos que muito provavelmente já passaram do auge ou, pior ainda, já não exibem mais qualquer sinal vital. As importadoras, distribuidoras e lojas têm garrafas em estoque que não foram vendidas na hora certa e aproveitam a data para liquidar esse excedente. Afinal, o vinho se conserva – entenda: não vai te levar pro hospital – por tempo indeterminado. Mas muitas vezes pode ser uma decepção.
Peraí, mas o vinho não melhora com o tempo?
A resposta curta é “quase sempre não”. Os vinhos que têm potencial de envelhecimento (ou que melhoram com longos estágios na garrafa) são bem poucos. E, em geral, são de denominações muito conhecidas, com muita história (inclusive, com tempo para observar como os vinhos evoluem). A imensa maior parte dos vinhos no mercado comum são feitos para consumo rápido.
Ou seja: se você não conhece o vinho ou sua denominação, o mais seguro é ficar restrito a uma janela de uns três anos para brancos e cinco para tintos.
O que determina que um vinho pode envelhecer?
Alguns elementos específicos ajudam a definir a capacidade de envelhecer de um vinho. Taninos e acidez, principalmente. Álcool também ajuda, mas eu tendo a acreditar nessa regra mais para fortificados, não para os vinhos tranquilos supermaduros que foram moda até pouco tempo atrás e ainda povoam muitas prateleiras de mercados. Altas concentrações de açúcar parecem ter algum papel, mas é bom lembrar que boa parte dos grandes vinhos doces, como Sauternes, Tokaji Aszú os rieslings (tipo o trockenbeerenauslese, ufa) também têm alta acidez.
Existem outros que têm no envelhecimento o seu próprio método de produção. Aí, a oxigenação controlada faz com que a própria característica do vinho seja algo de velho, como os Madeira, Porto Tawny, Jerez Oloroso, Vin Jaune e até mesmo os Rioja Gran Reserva.
Algumas uvas, como nebbiolo, cabernet sauvignon e syrah, são conhecidas por gerar vinhos com potencial de envelhecimento, mas aí é preciso ter cuidado porque nem sempre a qualidade dos frutos ou o método de produção potencializam essa característica.
Mas eu me guio por um método um pouco menos objetivo: eu acho que o vinho que pode envelhecer precisa de um certo balanço entre taninos, acidez e algo meio difícil de definir, que é o conjunto completo: tem de ter “muito vinho” – não em quantidade, mas em qualidade – dentro da garrafa. Não é exatamente corpo nem concentração, mas tem algo a ver com intensidade. Talvez seja o que os franceses chamam de “matière”. E equilíbrio. É meio inefável, lamento. Por outro lado, o vinho é mais legal porque tem algo de inexprimível nele, né?
Surpresas existem. Sou testemunha
Eu sou meio avesso a regras do vinho. Acho que elas estão mais para parâmetros que nos ajudam a tomar algumas decisões do que leis. Pois bem: uma vez, há algumas décadas, comprei um vinho verde genérico que já tinha uns cinco anos. Esqueci na adega por mais uns cinco. Era uma receita para o desastre, conforme os manuais. Abri. Estava esquisito e nada típico. Porém, delicioso de um jeito que eu não esperava. Dei sorte. Às vezes vale correr uns riscos.
50 Best divulga ranking de vinhedos para visitar
A organização, mais famosa por classificar restaurantes, lançou esta semana uma lista chamada 50 Melhores Vinhedos (50 Best Vineyards). Pelo que entendi, a ideia não é classificar vinícolas só pela qualidade da produção, mas pela experiência completa de visitação. Tem de ser bonita e receber bem, além de ter bons vinhos, claro.
Me chamou a atenção a vitória dos espanhóis, com 8 vinícolas, seguidos por argentinos, norte-americanos e franceses, com 7. O Japão aparece com duas. O Brasil não emplacou.
Os cinco primeiros colocados:
- Vik (Chile)
- Schloss Johannisberg (Alemanha)
- Bogedas Ysios (Espanha)
- Bodega Garzón (Uruguai)
- Château Smith Haut Lafitte (França)
Cordon Bleu faz jantar regado por Veuve Cliquot
A renomadíssima escola francesa de culinária promove um jantar combinado com diversas criações da igualmente lendária casa de Champagne. Vai ter desde o rótulo amarelo, mais conhecido, até pesos pesados como a La Grande Dame 2018. François Hautekeur, gerente de comunicação enológica da LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton) no Brasil, que foi enólogo da Veuve Clicquot, vai falar sobre a vinícola e os vinhos.
- Quando: 3 de dezembro, 19h
- Onde: R. Natingui, 862, 1º andar
- Preço: R$ 625,00
Saideira
Black Friday 1
Aproveito que a argentina Salentein entrou na lista do 50 Best (12º lugar) para indicar o Killka sauvignon blanc 2024. É um vinho simples, mas aromático e refrescante, e tá na hora certa de abrir. Com tampa de rosca então, é uma facilidade – e um perigo. Beba com moderação. Está saindo R$ 49,90 na Wine, um preço justo.
Black Friday 2
Os espumantes Geisse, de Pinto Bandeira (RS), já ganharam notoriedade – e não costumam ser baratos. O Victoria Geisse Vintage rosé é gostoso, feito de pinot noir pelo método tradicional, de segunda fermentação na garrafa. Embora seja “vintage”, o site não menciona a safra, mas acho que dá pra arriscar sem medo. Vale os R$ 84,95.
Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/colunas/vamos-de-vinho/2025/11/25/so-tenho-uma-dica-para-a-black-friday-desconfie-do-comercio-de-cadaveres.htm
