🌍 Onde começou a colonização alemã no Brasil? Essa pergunta já gerou muitos debates e até uma lei. São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, são as respostas mais comuns. Mas a verdadeira história nos leva à Bahia.
Primeiros Passos na Bahia
Os primeiros alemães que se estabeleceram no Brasil não foram para o Sul, mas sim para a Bahia. A região, conhecida hoje por suas plantações de cacau e pelas histórias de Jorge Amado, é o verdadeiro berço dos “alemães tropicais”.
A colônia Leopoldina, fundada em 1818, foi o primeiro assentamento agrícola de imigrantes europeus na Bahia. Localizada no extremo-sul do estado, nas proximidades de Nova Viçosa, a colônia foi pioneira e a mais bem-sucedida da região.
História e Desenvolvimento
José Guilherme Freyreiss distribuiu terras para colonos alemães e suíços, seguindo um decreto de 1808 de dom João 6º. A colônia se destacou pelo uso de mão de obra escrava e pelo plantio de café, o que a diferenciou de outros assentamentos.
Leopoldina foi nomeada em homenagem à princesa Maria Leopoldina, que se casou com Pedro 1º em 1817. A ligação entre o Brasil e os povos germânicos foi fortalecida por essa união.
Desafios e Crescimento
A Europa Central passava por um período tumultuado, com as Guerras Napoleônicas e a formação da Confederação Germânica. Esse contexto estimulou a imigração para o Brasil.
Em 1819, o governo imperial assentou famílias suíças na serra fluminense. Georg von Schäffer, um empreendedor alemão, fundou colônias próximas a Leopoldina e recrutou mais imigrantes para o Brasil.
Contribuições e Legado
Schäffer ajudou a fundar São Leopoldo em 1824, trazendo imigrantes de diversas origens. No mesmo ano, a chegada de 350 alemães deu novo impulso a Nova Friburgo. Na Bahia, algumas colônias enfrentaram dificuldades, mas Leopoldina prosperou.
Em 1851, Leopoldina tinha 43 plantações de café e uma população composta por 133 pessoas livres e 1.243 escravizadas. A produção cafeeira ia bem, e ainda havia cana-de-açúcar, arroz e tabaco.
Declínio e Herança
Com o fim da escravidão em 1888, Leopoldina entrou em declínio. A Alemanha, após a unificação em 1871, tornou-se uma das maiores investidoras do Brasil, destacando-se no comércio de tabaco e cacau.
Hoje, o que restou de Leopoldina é Helvécia, um distrito de Nova Viçosa. Além do nome e da estação de trem com inspiração suíça, o local abriga uma comunidade quilombola, herança dessa história pouco lembrada.
Georg von Schäffer, que teve um papel importante na colonização, morreu em 1836 na colônia Frankental. Ele tentou ser marquês e embaixador, mas só recebeu pagamentos em dinheiro pelos serviços prestados.
Reencontro com a História
Menos de 200 anos depois, os alemães voltaram ao sul da Bahia com a seleção de futebol para a Copa de 2014. A equipe escolheu Santo André, em Santa Cruz Cabrália, como base de concentração. Um time multiétnico, fruto da imigração, que fez história no Brasil.
Essa jornada de colonização alemã na Bahia é uma parte fascinante da história brasileira, mostrando como diferentes culturas se entrelaçam e deixam marcas duradouras.
Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/colunas/terra-a-vista/2025/12/15/praia-cafe-e-cacau-a-origem-da-colonizacao-alema-no-brasil-longe-do-sul.htm
