A Evolução do Sauvignon Blanc: Do Tropical ao Elegante

Há uns 15 anos, quando decidi formalizar meu conhecimento sobre vinhos, fiz um curso introdutório em uma instituição internacional. O professor, chileno, nos ensinava os termos aceitos para descrever os aromas das principais variedades.

Primeiras Impressões

Chegou a vez do sauvignon blanc. Ele nos serviu um exemplar neozelandês e começamos a descrevê-lo. Era típico: limão, grama e um forte caráter de fruta tropical, que ele nos ensinou a descrever como maracujá.

Perguntei se podia descrever o aroma como goiaba branca, que me parecia evidente. Ele, entre constrangido e divertido, respondeu: “Você quer dizer sobaco, né?”. Não tinha pensado nisso, mas o aroma lembrava mesmo uma academia cheia.

Isso não é necessariamente ruim. Adoro goiaba, mas várias pessoas já me descreveram sua pungência como suor. O professor me desaconselhou a usar esses termos. Melhor ficar no maracujá e na flor de sabugueiro.

O SB Tropical Sai de Moda

Hoje, quase toda explicação de enólogo sobre o uso de madeira em vinhos diz que o objetivo é micro-oxigenar, sem gosto marcante de carvalho. Os aromas de baunilha, café e coco que dominavam os vinhos de 15 anos atrás estão desaparecendo.

Algo parecido está acontecendo com o sauvignon blanc tropical. Produtores buscam aromas cítricos, minerais e vegetais, fugindo da explosão frutosa que fez a fama da cepa no Novo Mundo. A tendência é buscar mais elegância e “verticalidade”.

Origem Francesa

Esse perfil mais discreto vem da França. Bordeaux e o Vale do Loire são célebres. No Loire, denominações como Pouilly-Fumé, Sancerre e Menetou-Salon são famosas.

O Novo Mundo

Nos anos 90, a Nova Zelândia apresentou o sauvignon blanc com uma verdadeira salada de frutas. O sucesso impulsionou sua popularização em lugares como Califórnia, Austrália e Chile.

Hoje, ainda se encontram muitos desses exemplares. Mas, em regiões como o Chile, busca-se plantar a uva em regiões costeiras, mais frias, para um perfil mais discreto e mineral. Esse discurso é adotado por produtores de todo o mundo, até no Brasil.

Sem Lado na Briga

Tomei vinhos excelentes do Loire, Bordeaux, Chile, Uruguai e Brasil, com esse perfil mais sóbrio. Mas também curto os divertidos vinhos neozelandeses e os que ainda sofrem sua influência.

Flor de Sabugueiro

A planta Sambucus nigra é comum na Europa, mas pouco adaptada ao Brasil. É um descritivo aceito para o lado mais pungente da sauvignon blanc. Quando soube da sua existência, fiquei obcecado e hoje até consigo reconhecer a árvore em viagens.

Saideira

Esse tava bom
Faz tempo que não tomo, mas o Saint-Bris de Clotilde Davenne é curioso: uma denominação da Borgonha especializada em SB, em vez de chardonnay. Está mais no padrão sóbrio, europeu. O exemplar da foto está esgotado, mas tem um cuvée especial disponível por R$ 391.

O barato da semana
O Molu é o vinho de entrada da vinícola Kalfu, especializado em climas mais frios. Do Vale de Casablanca, apresenta aromas cítricos e de frutas tropicais. Na Amazon, não dá para ver a safra, o que é um risco, mas o preço de R$ 43,78 vale o risco.

Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/colunas/vamos-de-vinho/2025/11/21/sauvignon-blanc-a-uva-que-nao-ousa-dizer-o-seu-cheiro.htm

Dá uma olhada aqui também

Você pode gostar