Gente, olha só que legal! A cantora Dua Lipa postou um carrossel de fotos no Instagram e uma delas chamou muito a atenção. Era uma mesa com um corte de picanha servido numa travessa de inox, acompanhado de arroz, farofa de ovos e vinagrete. Totalmente brasileiro, né?
Dua Lipa e a Comida Brasileira
Os seguidores foram à loucura. “Meteu ali até arroz de brócolis”, celebrou um. “Comer farofa ganhou pontos demais”, comentou outro. Além das visitas ao Cristo Redentor, à praia e a uma escola de samba, a artista inglesa conquistou de vez o coração dos brasileiros ao sentar em um boteco ou churrascaria para tomar caipirinha e “macetar uma farofa de ovos e banana”, como escreveu uma seguidora. Isso sim é ganhar um CPF brasileiro! 🇧🇷
Comida e Cultura
É muito mais do que só visitar nossos pontos turísticos. Ver uma artista internacional como Dua Lipa curtindo nossa comida e bebida é algo que nos enche de orgulho. É como se ela descesse do pedestal e sentasse na mesma mesa que a gente.
Nossa comida representa quem somos. É a nossa cultura em forma de sabor. Por isso, tem tanto significado para nós. E mexe com nossos sentimentos de uma forma quase passional. Lembram da COP 30, quando o prefeito de Londres, Sadiq Khan, falou mal do nosso guaraná, chamando-o de “horrível”? Ele até se desculpou depois.
Validação Externa
Mas por que levamos isso tão para o lado pessoal? Talvez porque queremos que o outro, especialmente o estrangeiro famoso, reconheça o que construímos ao longo de séculos à mesa. Queremos validação.
Isso não é só coisa de brasileiro. Portugueses, mexicanos, australianos, todos têm esse sentimento. A cantora Mariah Carey, por exemplo, ficou famosa por rejeitar o Vegemite, uma pasta salgada popular na Austrália. Ela provou uma colherada no palco durante um show e fez uma careta, dizendo “no”. Os australianos acharam graça, mas será que nós aceitaríamos tão bem?
Síndrome de Vira-Lata
O que dói não é alguém gostar ou não da nossa comida. O que nos atravessa é o desejo de validação. Queremos que reconheçam que nossa comida é importante, que ela conta histórias, que ela tem valor. É a nossa eterna síndrome de vira-lata.
Mas gosto não é plebiscito. Cada pessoa carrega no paladar a infância, o território, as ausências e os exageros da própria vida. Exigir unanimidade gastronômica é absurdo. É compreensível que um estrangeiro ache nossa farofa seca, e tudo bem.
A Força da Nossa Comida
O desafio é entender que não precisamos que Dua Lipa adore nossa farofa (embora pareça ter adorado), nem que Khan reconheça o sabor do guaraná, para saber quem somos.
A força da comida brasileira não está na aprovação alheia, mas na persistência com que seguimos cozinhando, compartilhando e reinventando nossos pratos. A mesa é o lugar para afirmarmos nossa identidade. E, para isso, não precisamos de selo de ninguém.
Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/colunas/rafael-tonon/2025/12/11/de-dua-lipa-a-khan-por-que-importa-tanto-que-gostem-da-nossa-comida.htm
