Você já deve ter ouvido alguém dizer que os espumantes brasileiros só perdem para Champagne em termos de qualidade. Mas será que isso é verdade? Na real, isso é mais marketing do que realidade. Existem espumantes incríveis em praticamente todos os países que produzem vinhos.
Consistência Brasileira
Uma coisa é certa: o Brasil, especialmente a Serra Gaúcha, tem uma consistência impressionante na produção de vinhos espumantes. Temos condições climáticas boas e um conhecimento acumulado ao longo de décadas sobre o manejo dos vinhedos e a vinificação.
Na prática, é difícil errar com um espumante brasileiro. Sabe aquele Prosecco meio desequilibrado que você já tomou em alguma festa? É improvável que um espumante gaúcho tenha o mesmo efeito. E o melhor: dá para ser feliz gastando menos de R$ 100 na garrafa. Até bem menos.
Claro, os mais baratos tendem a ser mais simples, sem muita complexidade. Mas às vezes, numa festa, tudo que queremos é um vinho refrescante, equilibrado e com bolhas agradáveis, né?
Vamos de Vinho
Na edição do videocast Vamos de Vinho desta semana, eu e o Vinicius Mesquita conversamos bastante sobre espumante nacional. Dá um pulo lá.
Por que não posso chamar de champanhe?
Olha, sinceramente, você pode chamar a bebida do que quiser, até de “meu amor”. Mas assim: Champagne é uma região específica da França. Por lei e tratados internacionais, só o vinho feito lá, de acordo com regras específicas, pode ser rotulado como Champagne. Por isso, você não vai ver essa palavra (ou “champanhe”) escrita nos vinhos feitos por aqui (ou em qualquer outro lugar que queira se adequar às regras de comércio, ou seja, praticamente o mundo todo).
Agora, às vezes é difícil a gente se livrar de hábitos com os quais estamos acostumados, tipo usar “champanhe” como sinônimo de “espumante”. Nesse caso, seja feliz. Mas seria como se eu chamasse de “scotch” o Natu Nobilis que já me fez companhia em noites de pindaíba.
Mas eu vejo ‘Prosecco’ escrito em rótulos brasileiros
Pois é. Aí entramos em zona mais cinzenta. O termo “Prosecco” designa vinhos espumantes feitos em uma vasta área do nordeste da Itália. E os produtores de lá tentam restringir o uso da palavra.
Só que “prosecco” também é um jeito de chamar a uva com a qual o espumante é feito. Ela é mais conhecida como glera (esse nome virou até oficial, justamente para diferenciar a denominação da variedade), mas ainda tem muita gente até lá no Vêneto que usa esse termo tradicional. Então, quando você vê um vinho brasileiro estampando “prosecco” no rótulo, é mais ou menos como se ele tivesse escrito “chardonnay” ou “pinot noir” ali.
A polícia das palavras ataca até o método de fazer borbulhas
Esse negócio de impedir o uso de palavras atinge até a maneira de obter borbulhas no vinho. O pessoal de Champagne é geralmente visto como quem desenvolveu a técnica de segunda fermentação na garrafa. Por isso, esse método é conhecido como “champenoise”.
Só que existe um movimento dos franceses para impedir o uso dessa palavra também. Por via das dúvidas, hoje é mais comum os produtores de outros lugares usarem “método tradicional” no rótulo quando se referem, bem, ao champenoise.
Aí eu já acho meio despropositado. Não vejo imprecisão ou apropriação indevida nenhuma ao se usar o nome de uma coisa para designá-la. Já pensou se resolvem implicar com “pasteurização”?
Saideira
O barato da semana
O Casa Perini Brut Charmat é barato e confiável. Ninguém vai ficar admirando o vinho a cada gole, mas ele é fresco e leve, tem acidez adequada e nada que o desequilibre. Em resumo, é gostoso e um bom animador de festa de fim de ano. Custa R$ 52,95 na Amazon.
Esse tava bom
Já o La Grande Bellezza Blanc de Blancs é, perdão, uma grande beleza. Complexo no nariz e na boca, tem muita fruta amarela madura, panificação, borbulhas persistentes. É um vinho que enche a boca, chama a sua atenção, mas tem leveza e elegância suficientes para festas. Só que custa pra lá de R$ 250 na internet. E vale.
Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/colunas/vamos-de-vinho/2025/12/14/bom-e-mais-barato-espumante-nacional-pode-ser-o-sucesso-das-festas.htm
