Se você tem um cachorro em casa, já deve ter recebido algumas lambidas. Para os cães, esse gesto é mais do que uma simples demonstração de afeto. A lambida faz parte do repertório natural da espécie e começa ainda nos primeiros dias de vida, quando a mãe lambe os filhotes para limpá-los e estimular suas funções vitais.
À medida que crescem, os cães mantêm esse comportamento para criar vínculo, expressar carinho e até buscar acolhimento. Ou seja, quando seu cachorro te lambe, ele pode estar dizendo: “gosto de você”, “estou aqui com você” ou até “me dá atenção?”.
O que pode parecer apenas uma mania é, na verdade, uma linguagem emocional rica em significado.
Investigando o ambiente
Além do valor afetivo, a lambida também funciona como um meio de reconhecimento sensorial. A língua dos cães é altamente sensível e, por meio dela, eles detectam cheiros, sabores e sinais sutis das pessoas e do ambiente. Ao lamber sua pele, por exemplo, o cão pode captar vestígios do seu perfume, suor ou até perceber alterações no seu humor.
Esse comportamento se intensifica quando há mudanças na casa ou novos objetos ao redor. Assim como cheirar, lamber é uma forma instintiva que o cachorro tem de entender o que está acontecendo ao seu redor — algo muito natural, especialmente em cães mais curiosos.
Quando a lambida é um pedido de atenção
Muitas vezes, a lambida é usada como estratégia para chamar atenção. Se o cachorro tentou latir, pular ou se aproximar sem sucesso, ele pode recorrer às lambidas como último recurso.
E funciona, já que a maioria dos tutores responde ao gesto com carinho, fala doce ou risadas, reforçando o comportamento. Quando isso vira rotina, é sinal de que o pet pode estar entediado ou carente.
O cheiro de comida também entra nessa história
Não dá para esquecer que o olfato dos cães é extremamente aguçado. Basta um traço de comida na pele ou no ambiente para que eles comecem a lamber. E isso inclui até embalagens vazias, utensílios na pia ou aquele restinho de comida que ficou no canto da boca.
Se o seu cão corre para te lamber depois do almoço, pode apostar que ele está tentando “provar” um pedacinho do que você comeu. Esse comportamento é instintivo e, na maioria das vezes, inofensivo — embora deva ser monitorado para que não se torne invasivo ou indesejado.
Como reagir quando o cachorro lambe demais?
A chave está em estabelecer limites com delicadeza. Em muitos casos, o tutor até acha fofo, mas o excesso de lambidas pode incomodar, principalmente quando há visitas ou em lugares públicos. O ideal é redirecionar a atenção do cão para comportamentos mais adequados.
Algumas estratégias úteis incluem usar brinquedos ou comandos para distrair o cão, evitar recompensar a lambida com afagos ou sorrisos, ensinar comandos como “não” e “fica” de forma constante, além de reforçar os limites com firmeza e paciência.
No fim das contas, a lambida é mais uma forma de comunicação. Para que isso não seja excessivo, o ideal é oferecer estímulos na medida certa. Inclua mais momentos de brincadeira, passeios regulares e atividades que envolvam o faro.
Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2025/08/27/por-que-os-caes-lambem-seus-tutores-a-resposta-vai-alem-do-carinho.htm