Com a ceia de Natal quase pronta, é hora de refletir sobre o que 2025 nos trouxe em termos de comida. Foi um ano cheio de mudanças, impulsionado pelas redes sociais e novas tendências.
Redes Sociais e Comida
Vivemos em uma era onde os comportamentos e modismos são acelerados pelas redes sociais. Uma barra de chocolate popularizada em Dubai, por exemplo, chegou às prateleiras do mundo todo e até virou sabor de sorvete. A viralização também chegou aos restaurantes, criando bolhas e ditando modas. Cardápios postados por influencers e famosos bombaram, e para pedir comida, basta mostrar a foto do Instagram.
Polêmicas sobre o que personalidades aprovaram ou não à mesa também marcaram o ano. Tomamos mais matcha do que nunca, e entre tantos movimentos, alguns ensinamentos e reflexões se destacaram.
A Era da Proteína
Não dá para falar de 2025 sem mencionar a proteína. Ela foi a estrela do ano, presente em iogurtes, bolachas, cappuccinos e até na água com gemas. A proteína virou promessa de saciedade, saúde, emagrecimento e performance. Mais do que nutrição, ela se tornou uma linguagem cultural e um grande trunfo para o marketing da indústria alimentar.
A Redenção da Air Fryer
As fritadeiras elétricas sem óleo, antes vistas como trambolhos, provaram ser práticas e saudáveis. Elas deixaram de ser curiosidade doméstica para se tornar objeto de desejo, ganhando espaço nas cozinhas ao lado de outros eletrodomésticos. Em 2025, elas economizaram nosso tempo, dinheiro e até converteram os mais céticos.
Ozempic e Seus Primos
2025 foi o ano em que medicamentos como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound moldaram o sistema alimentar. Eles alteraram comportamentos individuais e impactaram restaurantes, que passaram a oferecer porções menores e menus mais leves. O ano foi marcado por um crescente comedimento à mesa, com menos consumo excessivo e mais foco na saúde e produtividade.
Alimentos “Sem”
Chocolates sem cacau, cafés feitos com cereais torrados e bebidas “zero álcool” ganharam destaque. Em tempos de moderação, criamos alimentos eliminando seus principais componentes naturais. O marketing mostrou que a narrativa importa tanto quanto o sabor e a textura. O mundo busca alimentos sem riscos ambientais e sem trabalho de exploração.
Comida na Política
Em 2025, ficou claro que falar de comida é também falar de política. A gastronomia ocupou esse espaço de debate em meio a crises climáticas e conflitos. A comida virou arma de guerra, marcou privilégios e acentuou preconceitos. O que comemos afeta nossa vida no planeta, desde o consumo de animais até o monocultivo de alimentos. Secas e temperaturas extremas mudaram o preço do que comemos.
O futuro ainda é incerto, mas na próxima coluna vamos falar dele e ver o que o mundo da comida nos aguarda para 2026. Até lá, é aproveitar a ceia sem comedimentos, pelo menos por uma semana no ano.
Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/colunas/rafael-tonon/2025/12/18/ozempic-politica-a-mesa-e-um-chocolate-de-dubai-o-que-comemos-em-2025.htm
