Telma Shimizu: Uma Jornada de Tradição e Inovação na Culinária Japonesa

Telma Shimizu está vivendo sua melhor versão. Ela voltou a usar o sobrenome de sua família, deixando para trás o de casada. Como primogênita e primeira neta de seus avós japoneses, Telma sempre foi um modelo de força e inspiração.

Influências Familiares

Seus avós paternos, que moravam em Atibaia, sempre estavam ocupados cuidando e alimentando a família. Telma lembra com carinho dos utensílios e ingredientes únicos que encontrava na cozinha da avó. Já a avó materna era uma intelectual que preferia ler e escrever haikais a realizar tarefas domésticas. Telma trouxe ambas as influências para sua cozinha.

Quase Médica, Muito Artista

Desde pequena, Telma era uma leitora ávida e misturava referências de livros clássicos e de receitas. Ela também aprendeu a tocar piano e visitava o Mercado de Pinheiros com seu pai. Crescer no interior a conectou com a natureza e os ciclos das estações.

Quando chegou a hora de escolher uma carreira, Telma optou por medicina na USP, mas no terceiro ano percebeu que não era para ela. Tentou ciências moleculares, mas descobriu que a pesquisa não a satisfazia. Foi então que decidiu seguir sua veia artística.

As Vidas de Telma

Telma trabalhou com o estilista Fause Haten e viu de perto o nascimento da São Paulo Fashion Week. Essa experiência influenciou sua criatividade na cozinha, onde aplica conceitos de textura, volume e cor. A técnica de tingimento de tecidos com azul índigo, chamada aizomê, também a inspirou.

Antes de abrir seu restaurante, Telma foi dona de casa e mãe por 10 anos. Ela brinca que aprendeu a cozinhar em escala industrial durante esse período. Eventualmente, começou a organizar eventos de moda e a apresentar seu talento culinário.

O Nascimento do Aizomê

Em 2007, Telma abriu o Aizomê, um restaurante japonês autêntico que valoriza pescados locais e sazonalidade. Ela enfrentou preconceito por ser mulher e não ser japonesa de nascimento, mas resistiu e consolidou o Aizomê como um restaurante respeitado.

Em 2018, Telma recebeu o Diploma de Honra ao Mérito pela Difusão da Culinária Japonesa e, em 2019, foi nomeada Embaixadora para Difusão da Cultura e Culinária Japonesa pelo governo japonês.

Um Coração Binacional

Telma valoriza ingredientes locais e técnicas japonesas. Ela acredita que a culinária japonesa deve ser autêntica, sem adaptações americanizadas como hot roll e califórnia roll. Telma também defende a filosofia japonesa de omotenashi (hospitalidade) e mottainai (contra o desperdício).

A Liberdade Além da Liberdade

Telma explora produtos de diferentes regiões do Brasil, como ostras de Santa Catarina e chás do Vale do Ribeira. Ela abrirá um novo restaurante no bairro da Saúde, focado em opções saudáveis para a população idosa.

Até setembro, Telma estará em uma imersão cultural no Pará, estudando a comunidade japonesa de Tomé-Açu. Ela quer resgatar e divulgar histórias não contadas de imigrantes japoneses no Brasil.

Em Busca Sempre

Telma acredita que o Japão está sempre em movimento, ditando tendências sem perder o passado. Ela quer explorar todas as possibilidades da culinária japonesa, além do sushi. Seu próximo projeto é abrir uma escola de culinária japonesa, onde ela continuará a aprender e se encantar.

“Cada vez que vou ao Japão, descubro algo novo. É a filosofia do kaizen, melhoria contínua, sempre buscando, buscando, buscando…”

Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2025/08/29/telma-shimizu-quer-mostrar-que-japao-brasileiro-nao-e-so-sushi-e-liberdade.htm

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